Ontem em conversa com Santo Marido falei-lhe das inúmeras viagens de comboio que fiz em miúda, acompanhada da minha querida avó e da minha irmã, entre Lisboa e Coimbra. Viagens que, na altura, obrigavam a trocas de linha, umas vezes no Entroncamento, outras na Pampilhosa e que duravam horas e horas.
Isto quando, por algum motivo, o comboio não parava no meio do nada, e por ali ficava o tempo necessário (às vezes horas) até que se pudesse seguir viagem.
Claro que a minha avó, mulher prevenida, levava sempre farnel (como eu adorava aqueles farnéis!) e, não raras vezes, ajudou a matar a fome a passageiros mais incautos que achavam que farnel era coisa de matarruanos parolos. Era, era, quando o comboio parava e a fome atacava, aqueles pastelinhos de bacalhau sabiam que nem ginjas! =)
As recordações destas viagens são das mais doces que guardo da minha infância, não só pela animação que era andar de comboio, mas também porque significavam férias e longos dias (ou semanas e às vezes meses, que na minha altura as férias grandes eram mesmo grandes!) de pura felicidade em casa da avó, com os primos todos e os miminhos insubstituíveis que ela nos dava.
Amava aqueles comboios cujas carruagens eram divididas por compartimentos, tipo salinhas, com uma porta de correr em vidro que dava para o corredor. Já devem ter desaparecido há alguns 20-25 anos...
Pois que lhos descrevi detalhadamente mas o grande sonso diz que não se lembra, que, ou nunca andou ou então que eu sonhei! Olha-me este!
Atirei-me ao Google à procura dos benditos comboios, desvirei a internet e não encontrei uma única referência aos mesmos. Nem no site da CP, nada, nicles! Que tristeza!
O máximo que encontrei foram estas imagens, que sequer correspondem a comboios portugueses mas que, pelo menos, já servem para lhe mostrar quem é que anda aqui sonhar.
Sonho sim, mas com ele a pôr a lâmpada da casa-de-banho que continua à média luz.