Não é uma janela comum, é enorme e vai até ao chão, o que me permite usufruir de uma vista privilegiada.
Adoro acordar, olhar para o lado e ver, lá fora, a cidade que mal amanheceu e já se encontra em pleno movimento. As pessoas apressadas de um lado para o outro, umas entram na farmácia, outras saem dos cafés. As crianças de mãos dadas com as mães, os autocarros cheios de gente, os carros nos vários sentidos, uns nos semáforos, outros nas rotundas. Movimento. E eu ali, ainda deitada no quentinho.
Amo o contraste da quietude do meu quarto com o burburinho lá fora, transmite-me uma espécie de paz ver que a vida corre como tem que correr, indiferente a tudo e todos, que tudo está certo e que, aconteça o que acontecer, o mundo lá fora não pára.
Todas as manhãs fico nisto uns minutos, até que as horas me obrigam a saltar para a minha realidade, que se passa a contra-relógio, entre duche, papas, cereais, vestir e pentear as crianças, apertar botões e atacadores em série e, finalmente, tratar de mim. Nos dias bons não há birras, nem atrasos, nem esquecimentos. Nos maus, bom, nem queiram saber. São berros dos filhos, berros da mãe, as meias ou os sapatos que têm "uma coisa", a roupa que "está torta" ou uma etiqueta que deu para incomodar de tal maneira que provoca uma birra, isto quando não querem acabar de ver os desenhos animados que os deixo a ver enquanto me arranjo. Nesses dias quando chego a sair de casa, juro que até penso que é mentira.
As minhas manhãs, tal como imagino que sejam as manhãs da maioria das mães deste mundo, são esgotantes, antes das nove já eu estou exausta, pelo que aqueles minutinhos de terapia matinal sabem-me pela vida.
Bom dia! :)
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| Imagem retirada da net |






























